O Ceará negocia a instalação de frigoríficos na rota da ferrovia Transnordestina, principalmente no Interior do Estado, segundo o secretário do Desenvolvimento Econômico, Fábio Feijó.
De acordo com ele, a movimentação ganhou fôlego após a chegada da Masterboi a Iguatu, no Centro-Sul cearense, em março deste ano.
"O que conquistamos com a Masterboi, além do investimento, foi colocar o Ceará no mapa dos frigoríficos. A partir desse exemplo, passamos a receber investidores interessados", destacou ele durante a 14ª Feira Tecnofrigorífico, evento que debate o setor de carnes no Norte e Nordeste, nessa quarta-feira (27).
"Ainda são conversas iniciais e não são ligadas somente à área de bovinocultura, mas também para ovinocaprinocultura, que demanda frigoríficos", afirmou.
Frigorífico industrial pode conciliar pecuária leiteira com a de corte
Feijó observa que o Ceará não é um Estado tradicionalmente associado ao abate de bovinos, embora atualmente exista infraestrutura consolidada para a produção.
"Não necessariamente precisamos ter um grande rebanho, mas com a Transnordestina vindo, temos potencial de atrair frigoríficos e desenvolver a cadeia frigorífica. Ela é importante a ponto de movimentar todos os segmentos econômicos: pecuária, indústria, comércio e serviços", lista.
O valor agregado da pecuária de corte também é um dos pontos considerados pelo setor e abre, na visão de Feijó, uma nova possibilidade para os bovinocultores cearenses.
"O Ceará já tem matriz de bovinocultura leiteira. É uma solução inteligente para o rebanho, e o produtor terá a opção de destinar os animais seja para produzir leite ou para um frigorífico", completa o secretário.
Sertão Central e Vale do Jaguaribe devem ser polos da pecuária de corte
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Carnes Frescas de Fortaleza (Sindicarnes) e idealizador da Tecnofrigorífico, Francisco Everton da Silva, acredita que essas mudanças "devem despertar a pecuária do estado do Ceará".
"Importamos 95% da carne consumida. Somos uma bacia mais leiteira, não tanto de abate. É preciso criar um mecanismo de pecuária com rebanhos confinados para atender a demanda de um frigorífico. Atender uma demanda de cerca de mil bois abatidos por dia totaliza 30 mil bois abatidos por mês", explica.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os maiores rebanhos bovinos do Ceará estão localizados em Morada Nova (Vale do Jaguaribe), Quixeramobim (Sertão Central) e Iguatu (Centro-Sul), nesta ordem.
"Como temos problemas de estiagem, não havia como ter uma pecuária sustentável. Hoje, como já existe a pecuária de confinamento para abate, muda a história. O boi fica mais caro, mas tem esse produto", pontua.
Everton da Silva acredita que a pecuária de corte pode se desenvolver no Estado assim como a cadeia produtiva do camarão, na qual o Ceará é atualmente o maior produtor nacional, com cerca de 60% do total do País.
O crescimento da cadeia do camarão não foi da noite para o dia. Precisamos de duas ou três décadas para alavancar uma pecuária ideal, sustentável, e pelo menos dividir igualmente a compra de carne de outros estados com o consumo de carne produzida no Ceará".
Ovinocaprinocultura no Ceará deve ser beneficiada
A chegada da Masterboi em Iguatu deve abrir fronteiras inclusive para a pecuária de animais como cabras, bodes, carneiros e ovelhas.
Enquanto nos bovinos o Ceará tem apenas o 15º maior rebanho do País, nos ovinos e caprinos, o Estado já corresponde ao quarto maior rebanho de ovinos e caprinos do País, de acordo com dados do IBGE.
Isso inclui a chegada de frigoríficos industriais que atendam às exigências da certificação halal, fundamental para consolidar o território cearense como um cluster de exportação para o mercado árabe.
"O mundo árabe exige a certificação halal. Estamos trabalhando com um investidor que quer realmente explorar o mercado árabe, usando recursos como a Transnordestina, o Porto do Pecém, nossa localização geográfica, e também olhando para o mercado interno. Há um consumo grande do cordeiro no Brasil como um todo", prospecta o secretário.
Masterboi no Ceará
Em março, a empresa pernambucana Masterboi anunciou a construção de um frigorífico industrial em Iguatu. Com investimento de R$ 250 milhões, a unidade deve empregar entre 700 e 1 mil funcionários, com capacidade de abate de até 1 mil animais no auge da operação.
Na ocasião, o Governo do Estado e a Masterboi informaram que Iguatu foi escolhida "por critérios técnicos, que levaram em conta a logística (Transnordestina), a segurança hídrica e a existência de criatórios consolidados de gado de corte".

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