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Rio Jaguaribe terá 35 hectares de mata ciliar reflorestada após 6 anos da criação de projeto

As ações de compensação ambiental devem iniciar em fevereiro deste ano e mais de 80 mil mudas serão plantadas

Rio Jaguaribe terá 35 hectares de mata ciliar reflorestada após 6 anos da criação de projeto
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O Rio Jaguaribe, o maior em extensão (610 km) do Ceará, terá 35 hectares de mata ciliar reflorestada a partir de fevereiro deste ano com o plantio de 88.625 mudas de árvores nativas. Essa é uma ação de compensação ambiental, com projeto anunciado em 2017, que deve proteger uma área degradada e ter impacto positivo na qualidade da água chamada “Cílios do Jaguaribe”.

Serão, ao todo, 32,69 hectares de caatinga em Arneiroz, no Sertão dos Inhamuns, e 2,76 hectares em Iguatu, no Centro Sul, numa área do Instituto Federal de Educação (IFCE) no município. O investimento será de R$ 2,8 milhões financiados pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf).

A empresa contratada para o serviço tem 48 meses para execução do serviço, que inclui o plantio de espécies como jurema, timbaúba, mororó e juazeiro.

A Chesf foi quem ficou responsável por esse reflorestamento após receber autorização para derrubar matas nativas na construção de uma linha de transmissão em 175 km entre Mossoró, no Rio Grande do Norte, e Banabuiú, no Ceará.

Apesar disso, o reflorestamento pode acontecer em outra área e, em agosto de 2017, foi anunciado o projeto pela Secretaria de Recursos Hídricos (SRH) para o Rio Jaguaribe devido à relevância ambiental da área.

“Nós conseguimos atender tudo o que estava ao nosso alcance institucional, como a definição do local e a discussão com os parceiros, em tempo hábil. Em 2018 já tínhamos cumprido todas as obrigações”, contextualiza o secretário executivo dos Recursos Hídricos, Aderilo Alcântara.

Em resposta ao Diário do Nordeste, a Chesf informou que o "Termo, aditivado em 2022 devido à necessidade de se estabelecer, por parte do poder público, quais localidades seriam reflorestadas, prevê trabalhos ao longo de quatro anos, com as ações já iniciadas". No entanto, não explicou o motivo da demora para o início da execução.

"Após o cumprimento das várias etapas técnicas, a Eletrobras Chesf está na fase de diagnóstico ambiental, com levantamento das ocorrências naturais, análise de solo, disponibilização de nutrientes e definição do plano de plantio. Superada essa fase, será feita coleta de sementes, início da produção e aquisição de mudas; instalação de placas de comunicação e cerca; limpeza e preparação do solo para instalação do sistema de irrigação, seguido do monitoramento do processo", detalhou em nota.

Como os cílios são importantes para a proteção dos olhos, a mata ao redor dos rios evita que a poluição avance e chegue até a água. Isso tem impacto na qualidade do líquido usado para matar a sede e regar as plantações.

“O principal uso é do abastecimento humano e com isso vamos melhorar a qualidade da água para atender animais e para a produção de alimentos, são dezenas de cidades ao longo do rio”, acrescenta Aderilo Alcântara.

Esses fatores foram decisivos para a escolha do local, considerando também as características da caatinga, como acrescenta Lucas Silva, técnico da célula de políticas de flora da Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema).

O processo deve acontecer com a lista de espécies nativas recomendadas para ações e florestamento e reflorestamento no Ceará, definida pela Sema. Conheça alguns objetivos do projeto:

Elaborar o diagnóstico ambiental das áreas onde serão feitas as reposições florestais, incluindo análise do solo;
Recuperar 35,45 (88.625 mudas) hectares com espécies do bioma caatinga, em áreas degradadas no município de Arneiroz e de Iguatu, no Estado do Ceará, através do plantio extensivo de mudas e promoção da regeneração natural;
Instalar e operacionalizar viveiro florestal com capacidade para produção de 100 mil mudas anuais, no município de Arneiroz
Realizar práticas silviculturais para a manutenção das mudas plantadas, tais como: capinação, tutoramento, coroamento das mudas, adubação, aplicação de gel hidroretentor para plantio e de matéria orgânica;
Irrigação;
Poda de ramos (doentes, ramificados, bifurcados, desnutridos e secos), replantio de mudas mortas e manejo de pragas e doenças;
Monitorar as áreas plantadas avaliando a eficácia da implantação e manutenção do projeto de reposição florestal, de forma integrada, utilizando-se parâmetros com indicadores mensuráveis descritos no Termo de Referência.

“Temos muita demanda de medida compensatória na zona costeira, mas queríamos avançar na caatinga e boa parte da área degradada foi em área de caatinga e, por isso, levamos em consideração o Rio Jaguaribe”, conclui.

Ainda neste mês, as secretarias devem receber o planejamento para execução do reflorestamento no Cílios do Jaguaribe, detalha Aderilo. “No dia 15 de janeiro faremos uma nova reunião com a empresa que ganhou a licitação para que possa fornecer o cronograma que precisa acontecer em 48 meses”, frisa.

RECUPERAÇÃO AMBIENTAL


Lucas Silva contextualiza que os relatórios de recuperação ambiental no Ceará mostram que as áreas são degradadas para retirada de material lenhoso, criação de pasto e até por incêndios florestais na caatinga.

Para o caso da mata ciliar do Rio Jaguaribe, a Chesf deve implantar um viveiro com capacidade de produzir 100 mil mudas anuais. As plantas, inclusive, serão monitoradas por 36 meses e devem beneficiar a região de imediato.

“Em geral esses projetos têm um impacto imediato, algumas mudas levam de 2 e 4 anos para se desenvolver, de acordo com cada grupo ecológico, mas quando iniciamos retiramos o fator de degradação com cercas”, analisa o técnico. São, pelo menos, 6.300 metros de cercas.

Além disso, o “trabalho de educação ambiental traz um novo olhar da população para aquela área”, como reflete Lucas.

Para Aderilo, esse “é apenas o começo de muitas ações das secretarias” para intensificação de campanhas educativas que devem ser feitas com as comunidades do entorno, além de políticas públicas.

“O investimento em reflorestamento e em saneamento básico, porque muitos municípios ainda despejam direto no Rio Jaguaribe e isso o prejudica sobremaneira”, completa o secretário.

FONTE/CRÉDITOS: Diário do Nordeste
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