Armamento hipersônico Oreshnik pode carregar ogivas convencionais ou nucleares; ataque aumenta tensão internacional em meio à guerra
A Rússia confirmou, neste domingo, 24 de maio, que utilizou mísseis Oreshnik, armamento hipersônico com capacidade de transportar ogivas nucleares, em uma nova ofensiva contra a Ucrânia. A informação foi divulgada pelo Ministério da Defesa russo, após o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy denunciar o uso do armamento em ataques contra a região de Kiev.
Segundo as informações divulgadas, esta teria sido a terceira vez que o míssil Oreshnik foi utilizado pela Rússia desde o início da guerra contra a Ucrânia. O projétil é considerado um dos armamentos mais avançados do arsenal russo e pode transportar tanto ogivas convencionais quanto nucleares.
Apesar da capacidade nuclear, não há confirmação de que o míssil usado no ataque estivesse equipado com ogiva nuclear. A preocupação internacional ocorre porque o uso de um armamento desse porte amplia o nível de tensão no conflito e reforça o clima de ameaça entre Rússia, Ucrânia e países ocidentais.
Ataque atingiu Kiev e deixou mortos e feridos
A ofensiva russa fez parte de uma nova onda de ataques com mísseis e drones contra a Ucrânia. De acordo com autoridades ucranianas, os bombardeios deixaram pelo menos quatro mortos e dezenas de feridos, principalmente na região de Kiev. Relatos internacionais apontam que áreas civis e estruturas urbanas também foram atingidas durante a ação.
O governo russo afirmou que os ataques tiveram como alvo instalações militares e seriam uma resposta a ações ucranianas contra estruturas russas. Já o governo da Ucrânia classificou a ofensiva como mais um ataque contra civis e uma tentativa de intimidação da população.
O que é o míssil Oreshnik
O Oreshnik é um míssil balístico hipersônico de alcance intermediário. Esse tipo de armamento chama atenção por sua velocidade elevada e pela dificuldade de interceptação por sistemas convencionais de defesa aérea.
O presidente russo Vladimir Putin já havia afirmado anteriormente que o míssil poderia viajar a velocidade superior a dez vezes a velocidade do som. Autoridades e analistas ocidentais, no entanto, tratam parte das declarações russas com cautela e avaliam que Moscou também usa esse tipo de armamento como instrumento de pressão psicológica e política contra a Ucrânia e seus aliados.
Por que o ataque preocupa o mundo
A confirmação do uso de um míssil com capacidade nuclear não significa, necessariamente, que houve uso de arma nuclear. No entanto, o episódio aumenta o alerta internacional porque mostra que a Rússia está disposta a empregar armamentos estratégicos de alto impacto em ataques dentro do território ucraniano.
Para a Ucrânia, o uso do Oreshnik representa uma escalada militar e reforça a necessidade de mais sistemas de defesa aérea fornecidos por aliados ocidentais. Para a Europa e a Otan, o ataque reacende o temor de que a guerra avance para um cenário ainda mais perigoso, especialmente diante das ameaças nucleares feitas por Moscou desde o início do conflito.
Guerra entra em nova fase de pressão
A guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, segue sem perspectiva concreta de cessar-fogo. Nos últimos meses, Moscou intensificou ataques com drones, mísseis balísticos e armamentos de longo alcance, enquanto Kiev cobra mais apoio militar e sanções mais duras contra o governo russo.
O novo ataque ocorre em um momento de forte tensão diplomática. Países europeus condenaram a ofensiva e apontaram o uso do míssil como uma demonstração perigosa de força. A Ucrânia, por sua vez, tenta mobilizar a comunidade internacional para ampliar o isolamento da Rússia.

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