Pelo próprio celular, o advogado e pedagogo George Luiz de Freitas Souza, 43 anos, conseguiu um feito inacreditável: se tornou o primeiro hacker do Ceará a conseguir acessar os sistemas da Nasa, a agência norte-americana de exploração espacial, e identificar falhas consideradas "graves" na segurança da instituição.
Seis dias depois, ainda pelo celular, ele descobriu que este feito renderia a ele uma entrada no chamado Hall da Fama de cibersegurança da Nasa, reservado apenas para hackers considerados "do bem", que utilizam seus conhecimentos em prol do desenvolvimento de novas ferramentas para corrigir e aprimorar sistemas de segurança.
Em entrevista ao Diário do Nordeste, George contou que foram necessárias três noites no computador e uma tarde no celular para conseguir reportar a rede de falhas para a agência e mais dois dias para validarem as descobertas.
Segundo George, as análises dele foram autorizadas e supervisionadas pela Nasa como parte de um processo chamado de Bug Bounty ("caçadores de bugs", em português"). Por questões de confidencialidade, as datas em que os testes foram realizados não podem ser divulgadas.
Pelo trabalho realizado para a agência norte-americana, George receberá, em breve, uma carta reconhecendo o trabalho realizado. Isso pode torná-lo o primeiro cearense a conquistar essa validação da própria Nasa.
"A agência dá essa carta de recomendação para que, quando outras empresas verem seu portifólio, lá vai constar que você esteve no Hall da Fama da Nasa. Isso pode dar oportunidade para mais trabalhos como esse em instituições privadas", explicou.
'Hacker do bem'
Natural de Iguatu, no Centro Sul do Ceará, George Luiz nunca pensou que conseguiria alcançar este patamar, apesar de ter crescido cercado pela tecnologia.
"Minha primeira experiência com computador foi por meio de um instituto de informática. Dali eu me apaixonei, fui para a área de videogame, quebrava até os eletrônicos de casa para saber o que tinha dentro", relembrou.
Ao longo da vida, essa paixão foi deixada de lado para dar espaço a outras prioridades. Veio, então, as graduações em pedagogia, direito, os três filhos e a oportunidade de trabalhar como chefe do Departamento de Admistraçãoo e Planejamento do Instituto Fedederal do Ceará (IFCE) no campus de Tauá, onde está desde 2011.
Durante a pandemia, George começou a se interessar e até ingressar em uma comunidade de hackers e entusiastas na área. Esse interesse o levou, em 2023, a se matricular em um curso na plataforma "Hackers do Bem" para aperfeiçoar as próprias habilidades.
Essa é uma iniciativa gratuita do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e Softex, focada na formação de profissionais em cibersegurança no Brasil.
Por três anos, ele adquiriu conhecimentos, foi um dos melhores da turma e chegou até a hackear o próprio curso - com autorização - para demonstrar o avanço dele como aluno.
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