Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰
Em Pedro Canário, no interior do Espírito Santo, um policial militar matou com tiros à queima-roupa um adolescente de 17 anos que já havia se rendido.
O crime aconteceu na manhã de quarta-feira, 1. Nas imagens captadas por uma câmera de segurança no local, é possíve ver o jovem, sentado na calçada de uma residência, sendo abordado por dois PMs; um na frente dele, e o outro aparece pulando o muro da casa em direção à rua.
O PM que pula o muro vai em direção ao jovem, enquanto o outro volta para o carro de Polícia. Com a aproximação do policial, o adolescente se levanta e coloca as mãos para trás, em gesto de rendição, girando na direção do agente.
É nesse momento que o policial se aproxima e atira, à queima-roupa. Pelos menos dois disparos foram feitos a partir da arma do PM. O jovem alvejado foi identificado como Carlos Eduardo Rebouças Barros.
Jovem de 17 anos é morto por policial com tiros à queima-roupa
Após os tiros, um terceiro PM sai de dentro da residência e se junta aos outros dois. As imagens das câmeras de segurança mostram ainda que o corpo do adolescente foi removido do local onde estava, sendo arrastado para dentro da casa pelo policial que o matou, indicando alteração da cena do crime.
A Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) informou que cinco militares estão envolvidos no assassinato de um adolescente de 17 anos, mas as identidades deles foram preservadas pela entidade. A versão oficial da PM é de que os agentes respondiam um chamado sobre uma dupla, referida como "os gêmeos" na denúncia, que atuaria no tráfico de drogas.
Carlos Eduardo tinha um irmão gêmeo. De acordo com a mãe, Cleia Louza Rebouças, em entrevista à repórter Rosi Bredofw, agentes da PM já teriam a avisado que iriam matar Carlos.
"Eu sinto revolta, muita revolta. Meu filho já estava algemado. Eu não tive coragem de ver o vídeo. Eu quero justiça. Tenho muita dor, que eu não consigo explicar", declarou. "Foi muita covardia dos policiais, eu não aceito isso e nunca vou aceitar."
Adolescente morto a tiros por PM no ES: envolvidos foram autuados por homicídio
O site A Gazeta reportou que, de acordo com a coluna de Leonel Ximenes, o Boletim de Ocorrência (B.O) oficializado pelos PMs constava que um "indivíduo, em meio à uma revista pessoal, colocou a mão na cintura, fazendo uma mesura como para sacar uma arma"; portanto, o PM teria efetuado os disparos em defesa própria, conforme o boletim.
Nas imagens captadas, é possível ver que o jovem não faz gestos bruscos. O coronel Douglas Caus, em entrevista ao programa matinal Bom Dia Espírito Santo, declarou que, se o B.O tiver sido feito incorretamente, os agentes responsáveis serão responsabilizados.
Também segundo o comandante Caus, os agentes envolvidos foram autuados em flagrante por homicídio e encaminhados a Vitória para realizar o exame de corpo de delito. A audiência de custódia dos PMs, na manhã de quinta-feira, 2, resultou na prisão preventiva dos cinco.
O juiz do processo, Getúlio Marcos Pereira Neves, afirmou não haver dúvida de que o caso se trata de "crime militar". O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), e o Ministério Publico do Espírito Santo já se pronunciaram sobre o ocorrido; a Defensoria Publica (DPES) requereu o afastamento dos policiais e a urgente adoção das câmeras de monitoramento nos uniformes dos agentes.