Um novo projeto ferroviário em desenvolvimento prevê interligar Iguatu, no Centro-Sul do Ceará, até Caiçara do Norte, município no litoral do Rio Grande do Norte. Se for concretizada, a ferrovia será uma espécie de "ramal" da Transnordestina no território potiguar.
A previsão é que os estudos comecem neste mês de setembro, com prazo de finalização estimado até janeiro próximo. O projeto foi confirmado pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e pelo Ministério dos Transportes e pelo Governo do Rio Grande do Norte.
O ministério informou que o estudo será conduzido pela Sudene. A entidade afirma que "há entendimentos institucionais para viabilizar o estudo" e detalhes técnicos, como investimento, extensão e prazo para início e término das obras só poderão ser revelados após a conclusão do levantamento.
O secretário de Planejamento, Orçamento e Gestão do Rio Grande do Norte, Alexandre Lima, explica que o projeto trata, na verdade, de um estudo de viabilidade técnica, econômica, ambiental e social, interligando o futuro Porto Indústria Verde, em Caiçara do Norte, e a Transnordestina em Iguatu.
O Diário do Nordeste procurou a Prefeitura de Iguatu e o Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Casa Civil, em busca de detalhes do projeto. Até a publicação desta matéria, não houve retorno.
Qual o trajeto em estudo?
Lima esclarece que o percurso exato da ferrovia será definido após a conclusão do estudo prévio, mas o objetivo é cortar importantes áreas econômicas do Rio Grande do Norte, como Mossoró.
"O projeto tem como diretriz interligar o Porto Indústria Verde, em Caiçara do Norte, a Iguatu, passando por Mossoró, Apodi e Pau dos Ferros, além de contemplar um ramal conectando a região de Jucurutu. A partir de Pau dos Ferros, a linha desce em direção ao Ceará para encontrar a Transnordestina", destaca.
“A estimativa de custos depende diretamente da definição do traçado e da modelagem de engenharia, como o tipo de bitola a ser adotado. Quanto ao financiamento da obra, a intenção é construir uma modelagem via parceria público-privada (PPP), viabilizando recursos em conjunto com o Governo Federal e com a iniciativa privada”, detalha.
Vale do Jaguaribe cearense pode ser beneficiado, aponta especialista
A professora doutora em Geografia pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), Ângela Falcão, acredita que a região do Vale do Jaguaribe, um dos principais polos agrícolas do Estado, pode deve ser beneficiado se a linha se concretizar.
A distância terrestre entre Iguatu e Caiçara do Norte ultrapassa os 510 quilômetros (km) por rodovias. Pau dos Ferros, município do Oeste potiguar, tem Ereré, no Ceará, como um dos municípios limítrofes.
O Vale do Jaguaribe não é atendido atualmente pela Transnordestina e depende do modal rodoviário para alcançar a ferrovia.
"Os benefícios preveem a possibilidade de escoamento da produção da fruticultura irrigada e bovinocultura leiteira, abrindo assim um novo eixo de fluxo logístico", enfatiza.
Transnordestina já está em operação em Iguatu
O ramal em estudo pretende criar uma conexão ferroviária a partir da Transnordestina, que já opera parcialmente no interior cearense, interligando Bela Vista do Piauí a Iguatu.
O município cearense já tem obras avançadas de terminal de cargas, com infraestruturas como tancagem de combustíveis e silos para armazenagem de grãos. Também está em desenvolvimento um frigorífico da Masterboi, o primeiro fora de Pernambuco.
A ferrovia hoje está concluída até Quixeramobim, no Sertão Central cearense, e existe ainda a perspectiva de entrega de outros 120 km ainda em 2026. O prazo para finalização da primeira fase da linha férrea segue sendo o fim de 2027.
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