Nas últimas semanas, o governador Elmano de Freitas (PT) e o pré-candidato Ciro Gomes (PSDB) se esbarraram numa igreja em Barbalha e quase se encontraram em Iguatu e em Viçosa do Ceará, durante festival de cultura local.
A agenda mais recente, na serra da Ibiapaba, foi parada obrigatória do petista na sexta-feira, dia, 5, e de Ciro no dia seguinte, 6, ambos para participarem do mesmo evento.
Dias antes, os dois já haviam estado na festa do Pau da Bandeira, no município da região do Cariri, onde se encontraram na celebração de uma missa, quando simpatizantes do chefe do Executivo e do tucano acabaram levando um "carão" do diácono pelo excesso de barulho por causa da movimentação pré-eleitoral.
Disputa pelo Interior
A coincidência de compromissos é observada de sul a norte do Ceará e revela que Ciro e Elmano têm se mantido no rastro um do outro nessas visitas. No Centro-Sul cearense, Iguatu, por exemplo, é uma cidade importante para os planos de reeleição de Elmano e para os de eleição de Ciro.
O mesmo vale para Juazeiro do Norte, aonde o governador e o opositor já foram em momentos diferentes, mas separados por intervalos breves. Em Viçosa do Ceará, uma das cidades mais destacadas da "Serra Grande", os adversários se deixaram fotografar com o eleitorado nas ruas.
Em entrevista no local, Ciro aproveitou para rebater uma das críticas que os governistas vêm usando contra ele: a de estar associado aos bolsonaristas no Ceará, a exemplo de André Fernandes e do pai, o deputado estadual Alcides Fernandes, do PL, cotado para o Senado.
"Eu estou no lugar certo. Eu sou independente. O meu patrão é o Ceará e o cearense", declarou Ciro a uma rádio, depois de comentar que, em 2018 e em 2022 enfrentou Luiz Inácio Lula da Silva, (na verdade, Fernando Haddad) e Jair Bolsonaro nas urnas. Para ele, os dois pleitos são uma mostra de que a estratégia de colar em sua imagem o desgaste do ex-presidente não deve produzir efeitos.
A intensificação de agenda na etapa que antecede ao período das convenções é sinal ainda de que a fase atual da campanha acelerou. No QG governista, a ordem é fazer Elmano rodar o Estado antes mesmo da definição de chapa.
Em poucos dias, o petista passou por ao menos seis municípios. De Viçosa, por exemplo, Elmano retornou para a capital cearense, onde participou da abertura do festival de quadrilhas juninas da Prefeitura de Fortaleza, comandada pelo aliado Evandro Leitão (PT).
Conversas sobre as chapas
Entre sábado e domingo, 7, o gestor estadual se concentrou somente em "reuniões políticas" internas, conforme a assessoria do Palácio da Abolição. Neste momento, o governador está dedicado a resolver as dificuldades na montagem da composição que vai disputar a eleição deste ano.
Declarações recentes do deputado federal Júnior Mano (PSB), por exemplo, foram recebidas com preocupação na base do governo. Entre aliados, a leitura é de que o parlamentar deve oferecer resistência em ceder o lugar para outro nome postular cadeira no Senado, ignorando apelos de pessebistas para que Cid seja o candidato, e não ele.
Outro fator que tem atrapalhado as costuras no lado governista é o distanciamento entre os senadores Camilo Santana (PT) e Cid Gomes (PSB), que não foram vistos mais juntos desde o "passeio de van" com aliados, quando o petista ainda ocupava a titularidade do Ministério da Educação (MEC).
A intenção é reverter a vantagem numérica de Ciro antes mesmo do meio do ano, quando as legendas consolidam candidaturas e definem suas chapas para o pleito.

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