As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desaparecidos desde o dia 4 de janeiro em Bacabal (MA), entraram na terceira semana sem nenhuma pista concreta sobre o paradeiro das crianças. Uma comissão formada por oito delegados e investigadores da Polícia Civil do Maranhão (PC-MA), atua no inquérito que apura o caso.
Nesta segunda-feira (19), um grupo de agentes da Secretaria de Segurança Pública (SSP-MA) visitou uma vila de pescadores localizada no povoado São Raimundo, nas proximidades de onde Anderson Kauã, de 8 anos, foi encontrado há 12 dias. Ele estava junto com os primos que estão desaparecidos.
➡️ Os moradores foram ouvidos na condição de testemunhas, já que, até o momento, não há indícios de envolvimento deles no desaparecimento, segundo a Polícia Civil. A intenção é reunir o maior número possível de informações que possam contribuir para a localização de Àgatha e Allan.
Paralelamente à investigação, a força-tarefa mantém buscas em áreas de mata, no rio Mearim e em regiões próximas ao quilombo São Sebastião dos Pretos, onde as crianças moravam, além do povoado São Raimundo.
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Sonar auxilia nas buscas
A Marinha do Brasil passou a usar um equipamento subaquático chamado side scan sonar nas buscas pelas crianças. Ao todo, 11 militares começaram a atuar na operação na manhã de domingo (18).
➡️ O side scan sonar é um equipamento usado para mapear áreas submersas por meio de ondas sonoras. Ele emite feixes para os lados e produz imagens do fundo do rio ou do mar, mesmo em locais com pouca visibilidade.
O equipamento veio do Centro de Hidrografia e Navegação do Norte, em Belém (PA), e chegou a Bacabal nesse sábado (17). (veja mais detalhes abaixo).
As buscas no rio Mearim foram intensificadas após o relato de Anderson Kauã, resgatado no dia 7 de janeiro. Ele disse aos policiais que esteve com os primos em uma casa que os agentes chamam de “casa caída”, às margens do rio. Segundo o secretário de Segurança Pública, Maurício Martins, cães farejadores indicaram a presença das crianças no local e desceram uma ribanceira durante as buscas em direção ao rio.
O Corpo de Bombeiros informou ao g1 que o apoio da Marinha foi solicitado por causa do risco aos mergulhadores. A baixa visibilidade, árvores caídas e a forte correnteza dificultam o trabalho no rio. A extensão da busca no leito do rio não foi informada.
A Marinha solicitou que o número de embarcações na área das buscas fosse reduzido para aumentar a eficiência das operações. As equipes devem permanecer na região por 10 dias, com possibilidade de prorrogação.
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Buscas por crianças desaparecidas no Maranhão completam 15 dias com reforço da Marinha — Foto: Corpo de Bombeiros do Maranhão
Sonar faz varredura semelhante a um “raio-x” do fundo do rio
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Scanner faz ‘raio‑x’ do fundo do rio e orienta mergulhadores nas buscas. — Foto: Divulgação/SSP-MA
O capitão Simões Júnior, da Capitania dos Portos do Maranhão, explica que o equipamento produz, em tempo real, imagens do leito e da coluna d’água, permitindo identificar anomalias que depois são verificadas pelos mergulhadores, o que acelera as buscas.
“Quando a gente vai fazer um exame no nosso corpo, um exame médico, ele faz um raio-x ou outro tipo de escaneamento do corpo e ele consegue visualizar internamente. E esse equipamento é exatamente isso. Então a gente consegue ver a coluna d'água e o leito ali com uma imagem muito nítida, muito perfeita, independentemente da turbidez, se a água é clara ou escura”, disse o capitão.
Segundo o capitão, o sonar é o mesmo usado nas buscas por desaparecidos após o desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek, entre Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), em dezembro de 2024. Além do sonar, a Marinha utiliza uma voadeira e uma moto aquática.
De acordo com a Marinha, o sonar pode apontar:
- Objetos submersos: embarcações afundadas, galhos e detritos.
- Mudanças no terreno: buracos ou elevações no fundo do rio.
- Substâncias na água: óleo ou resíduos.
- Alterações de visibilidade: trechos com turbidez ou neblina subaquática.
O vale do rio Mearim tem 98.289 km², o equivalente a 29,6% do território do Maranhão, sendo a maior bacia fluvial do estado, segundo o Projeto de Preservação e Recuperação de Nascentes do Mearim, da Associação de Orientação às Cooperativas do Nordeste (Assocene).
A bacia do Mearim abrange 84 municípios, sendo 50 totalmente inseridos no vale. O rio nasce em Formosa da Serra Negra e deságua no Oceano Atlântico, entre São Luís e Alcântara.
Cães indicaram que crianças estiveram em casa abandonada
Cães farejadores que integram a força-tarefa de busca indicam que as crianças estiveram em uma casa abandonada à margem do rio Mearim durante as buscas realizadas na quinta-feira (15). A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP).
Os cães farejadores identificaram que os irmãos e o primo deles, Anderson Kauã, de 8 anos — resgatado no dia 7 de janeiro — estiveram na residência chamada de "casa caída".
Trata-se de um abrigo simples, feito de barro, troncos de madeira e coberto por palha. A estrutura fica no povoado São Raimundo, na zona rural de Bacabal, no interior do Maranhão.
De acordo com o Corpo de Bombeiros do Maranhão, o local fica a cerca de 3,5 km em linha reta da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal. No entanto, considerando os obstáculos naturais, como trilhas, lagoas e áreas de mata, a distância percorrida até o local pode chegar a aproximadamente 12 km.
O local, que pode servir como ponto de parada para pescadores, fica à margem do rio Mearim. Dentro da estrutura foram encontrados um colchão, botas e um banco.
Segundo o secretário de Segurança Pública, Maurício Martins, não havia sinais da presença de outra pessoa e os cães identificaram exclusivamente o cheiro deixado pelas crianças. Ainda segundo ele, as casas da região são usadas para plantio e pesca, e os donos das casas possuem residência fixa em Bacabal. No entanto, a investigação não detalhou se essas pessoas irão prestar depoimento e se serão investigadas.
O ponto foi descrito por Anderson Kauã, de 8 anos, após ser encontrado no dia 7 de janeiro. Ele relatou à equipe multiprofissional do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA), que o acompanha, que chegou ao local com os primos e que deixou os dois na casa enquanto saiu em busca de ajuda.
O secretário explicou ainda que os cães desceram uma ribanceira e circularam perto do rio Mearim durante as buscas. As equipes não encontraram novos vestígios, e o trabalho agora avança para um perímetro maior.
Varredura por quadrantes
Segundo o major Pablo Moura Machado, do Corpo de Bombeiros do Maranhão, as equipes passaram a trabalhar por quadrantes para garantir uma varredura minuciosa na área delimitada.
“Estamos fazendo metro por metro, centímetro por centímetro, para ter certeza que as crianças não estão ali”, explicou o major.
Cada quadrante tem cerca de 90 mil metros quadrados. Ao todo, são 45 quadrantes, dos quais 25 já foram totalmente vistoriados.
A estratégia foi definida com base em um triângulo formado pelo ponto onde as crianças saíram, o local onde roupas foram encontradas e onde um dos meninos foi visto pela última vez.
Os bombeiros e voluntários usam um aplicativo de geolocalização para mapear as rotas percorridas pelas equipes e localizar agentes ou voluntários caso alguém se afaste do grupo.
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Um aplicativo de geolocalização é usado para mapear as rotas percorridas pelas equipes e localizar agentes ou voluntários caso alguém se afaste do grupo. — Foto: Reprodução/TV Mirante
Como são as buscas na região
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INFOGRÁFICO - Crianças desaparecidas em Bacabal, no Maranhão — Foto: Arte/g1
Mais de mil pessoas participam das buscas, entre profissionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Municipal, Exército Brasileiro e voluntários.
Paralelamente às buscas, a Polícia Civil segue com as investigações para reunir informações que possam ajudar na localização de Ágatha e Allan. O Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA), ligado à Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, está em Bacabal e conta com psicólogo e assistente social, responsáveis por perícias psicológicas e sociais e por ouvir familiares das crianças.
Veja cronologia do caso
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Infográfico - Crianças desaparecidas no Maranhão — Foto: Arte/g1

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