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Novo ciclo do algodão promete transformar Iguatu, Acopiara e outras 16 cidades do Ceará, com mais de 15 mil empregos

Produto já foi a principal fronteira agrícola do Estado no passado.

Novo ciclo do algodão promete transformar Iguatu, Acopiara e outras 16 cidades do Ceará, com mais de 15 mil empregos
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Um programa do Governo do Ceará promete revitalizar a produção de algodão, inicialmente, em 18 cidades do Estado. A ideia é distribuir gratuitamente sementes de algodão e gerar até 15 mil empregos. 

Neste mês de janeiro, ocorre o cadastramento de produtores rurais para o recebimento de sementes de algodão no âmbito do Programa Estadual de Fortalecimento e Revitalização da Cotonicultura no Ceará.

Os municípios contemplados são do interior do Ceará e da Região Metropolitana de Fortaleza. São eles:

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Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), foram adquiridas "50 toneladas de sementes de algodão transgênico para distribuir entre os municípios interessados de forma gratuita, como incentivo para promover a revitalização da cultura do algodão no Estado".

Conforme a Pasta, as iniciativas devem fazer com o que o Ceará plante algodão em 5 mil hectares (ha), com uma média de dois a três empregos por hectare.

A produção de algodão, conhecida como cotonicultura, foi a principal cadeia produtiva no Ceará no século XIX e na maior parte do século XX. 

As informações do programa estadual foram divulgadas no início do ano pela SDE por meio do Diário Oficial do Estado (DOE). Um edital vai selecionar e cadastrar produtores rurais do Estado para a produção algodoeira.

A pasta ainda destacou que está em negociação com instituições financeiras, incluindo o Banco do Nordeste (BNB), para apoiar o financiamento da cotonicultura cearense

COMO É A PRODUÇÃO DE ALGODÃO NO CEARÁ E NOS MUNICÍPIOS?

A Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgada anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), considera que a produção de algodão cearense era líder nacional em 1974, divididos em algodão arbóreo e algodão herbáceo, os dois contados em toneladas de caroços.

Segundo o Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), entidade vinculada ao BNB, o cultivo de algodão no País começou com protagonismo do Nordeste no século XVIII até os anos 1980. Elas eram de algodão arbóreo, de fibra longa e maior durabilidade.

A partir dos anos 1980, começou a ser introduzido o algodão herbáceo, de fibra mais curta e de maior produtividade, com produção anual. 

Dominava o Ceará a produção de algodão arbóreo, que veio caindo ao longo dos anos até ser zerada no século XXI. Situação similar ocorreu com a produção do produto na variante herbácea, que quase dobrou em dez anos.

 

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Em 1974, a região do Sertão Central e do Centro-Sul dominavam a produção algodoeira no Estado. Acopiara, Quixadá e Quixeramobim eram os três principais municípios produtores.

 

Em 2024, 50 anos depois, Tabuleiro do Norte é, de forma disparada, o município que mais produz algodão no território cearense. Brejo Santo e Mauriti completam o pódio.

 

"A produção estadual de algodão está concentrada no Vale do Jaguaribe, responsável por 56% do total, e o Cariri, que responde por 23%. Essa distribuição mostra a importância dos polos irrigados do Jaguaribe e a consolidação do Cariri como área em expansão da cotonicultura. Esses municípios vêm se consolidando como referências na cadeia produtiva, mostrando que a cotonicultura pode ser alternativa sólida para diversificação econômica e geração de renda no interior", frisa a SDE.

'BICUDO-DO-ALGODOEIRO' E TECNOLOGIA FAZEM PRODUÇÃO DE ALGODÃO DESPENCAR

O biólogo e analista da Embrapa Algodão, Gildo Araújo, elenca algumas razões que fizeram a cotonicultura cair em um declínio ainda mais acentuado do que foi a cana-de-açúcar.

O cultivo era a principal base agrícola do Estado, mas desde o crescimento do algodão herbáceo, nos anos 1980, perdeu força, somado a pragas como o bicudo-do-algodoeiro, que devastou plantações.

 

 
Havia um preço do algodão ao nível mundial que não era muito favorável para a economia, vinha de um desmantelamento da cadeia produtiva, com muitas usinas se deslocando do Ceará para outros centros de desenvolvimento, ou retomando, ou iniciando o plantio do algodão, como o Cerrado. Além disso, tem a chegada do bicudo-do-algodoeiro, introduzido no Brasil. Não estávamos preparados para conviver com essa praga".
Gildo Araújo
Biólogo e analista da Embrapa Algodão

 

Conforme o especialista, iniciativas como o programa estadual para a retomada da cotonicultura cearense são importantes, mas o desafio ainda está na volta da articulação agrícola para o fortalecimento da cadeia produtiva.

Foto que contém o bicudo-do-algodoeiro.
Legenda: Bicudo-do-algodoeiro devastou plantações de algodão no Ceará nos anos 1980.
Foto: Nildo Vasconcelos/Governo do Ceará.

 

"Os programas são essenciais. É fundamental o lançamento de um programa desse para voltarmos a ser protagonistas na cultura do algodão, tanto do ponto de vista de produção, como também da parte têxtil propriamente", pontua.

"Precisamos alcançar níveis tecnológicos adequados para que a cultura do algodão possa se desenvolver de maneira adequada. Isso requer investimento, conhecimento técnico, disponibilidade dos produtores em assimilar e pôr em prática. O algodão coloca desafios praticamente diários, cada safra é diferente", completa o biólogo.

PROTAGONISMO DO CEARÁ PODE VOLTAR COM ALGODÕES DE ALTO VALOR AGREGADO

A retomada da cotonicultura cearense vem sendo estimulada também pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec).

De acordo com o presidente da entidade, Amílcar Silveira, é um resgate de um cultivo que hoje está nas mãos do Mato Grosso e da Bahia, maiores produtores nacionais, conforme a PAM.

"O que aconteceu no Mato Grosso que não aconteceu aqui, independente do bicudo, que tem lá também, é que eles investem muito em tecnologia na lavoura de algodão. Para plantar uma lavoura de milho, deve se gastar algo em torno de R$ 5 mil. De algodão, tem que gastar mais de R$ 10 mil", expõe.

Amílcar relembra a antiga ferrovia que cortava o litoral fortalezense levando principalmente algodão cearense para exportação no então principal porto da Capital, localizado na região do Poço da Draga.

 

"Quando se é produtor de algodão, é um agricultor fora da média, porque não é fácil fazer. O diagnóstico de técnicos da Faec é de que deveríamos plantar algodão em áreas irrigadas. Tomamos o cuidado de fazer alguns experimentos em áreas irrigadas para depois passar para pequenos produtores. O algodão é muito importante para nós, e quando feito em regiões secas, consegue ter fibra melhor", defende.

 

 

Foto que contém mecanização do cultivo do algodão no Ceará.
Legenda: Cultivo de algodão no Ceará está sendo retomado associado com tecnologia.
Foto: Honório Barbosa/Agência Diário.

 

Variantes de algodão que foquem em fibras médias e longas, a exemplo do arbóreo, devem voltar a ser estimuladas no território cearense, conforme o presidente da Faec.

Para ele, é uma maneira de explorar ainda mais a cadeia produtiva e remunerar o produtor com um item de alto valor agregado.

"Existem algodões no mundo e os melhores são o peruano e o egípcio. Queremos um algodão de fibras médias e longas, de alto valor agregado. Ele é mais macio, de maior poder aquisitivo. É um algodão premium. O Sol nos ajuda a ser produtor de algodão, mas precisa de irrigação para ter certeza de que a gente vai colher", observa Amílcar.

FONTE/CRÉDITOS: Diário do Nordeste
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